Quando um idioma emudece, tudo parece um sujeito oculto e calado em seu canto, sem o objeto direto intransitivo do admirável, no sentido de admiração. O afeto então passa de verbo instintivo para algo que se desconjulga lentamente e fica sem o substantivo, sua substância, e perde-se em um futuro fracassando em ser (porque isso é impossível) mais que perfeito. Mas antes, porém, contudo e no entanto, se há um pretérito resiliente, se há um presente no seu léxico e nas rimas possíveis (língua também é poema), se há desejo na primeira pessoa, se tempo é menos um conceito e mais o entendimento de subtextos, se é a reunião de ponto e vírgula e a junção do que há de desconexo, existe algo ali. Algo grande, sem apostos explicativos, gerúndios, um alfabeto aberto, surge de onde estava subentendido, esquecido, submerso. Algo que dispensa traduções, prenomes, pormenores, será o que é, uma tradição oral (e espiritual) do amor. Voltará mais forte, mais abrandado em sua gramática eloquente. Vai ser só a gente se entendendo, palavra por palavras.
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