
Estou lendo um psiquiatra bonitão, que diz coisas intrigantes. Quer um exemplo? Dou. Que ele prefere ter uma vida interessante a uma existência feliz. Ele entende que a felicidade é uma abstração, uma distração que te afasta do que é, de fato, uma jornada que mereça ser vista. Não consigo dissociar o palavra interessante do adjetivo original, (algo que se mostra diferenciado). Entendo que é preciso ser original para ser merecedor de observações interessadas. Mas original não quer dizer nunca antes existente. Quer dizer o encontro único e (porque não?) feliz entre o que você gosta e o que te faz bem. Um tempo integrado, unindo desejo e realização. Porque sim, acho melhor desejo do que sonho. Concluo que a realização de um sonho parece ser menos grandioso do que a concretização de um desejo. Um se realiza, parece mágica. Outro se concretiza, é resultado de mistura de areia, cimento e brita em doses exatas. Dá trabalho, exige precisão. Eu já andei com um cavalo pangaré e acabei jogado num lago por completa incompatibilidade de gênios. Mas há quem avance nisso, se transforme em harmonia com um bicho daquele tamanho, que faça daquilo um prazer que é belo. Uma vida interessante precisa sempre de reinvenções, novos inícios, inquietações, rotinas e insistências. É isso que acalma os medos, que acende os afetos, que se pacifica as histórias. Talvez essa seja a grande alegria do dia.
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