
Um dia virá a cura, é inevitável. Será exatamente igual aos milagres que acontecem depois de terremotos. Aos poucos, lá longe, um sino de igreja toca pelo vento que o toca. Entre carros retorcidos e olhares assustados, as pessoas se encontram. Se comemoram vivos. Choram seus mortos. Procuram pelos seus. Se entendem, saem de onde estavam escondidos. Se desencontram. Se recebem. Se despedem. Se voltam e se vão.
Um dia, será o dia esperado do dia da cura. Não será a pele sem cicatrizes, é o dia que pode chegar curando e trazendo em si a possibilidade de viver com aquilo.
É o reconhecimento de que sim, a terra tremeu forte, tudo foi medo e lágrima e solidão e desalento, um tempo retido sob montanhas de coisas sonhadas. Então, feito Valsinha do Chico, um dia chegará o dia em que o dia será um dia de cura e o dia amanhecerá em paz.
As marcas estarão ali, é certo. Mas será possível viver a resistência de quem ofereceu a vida por amor e deu amor por toda vida que há. Será possível ver no que existe, a razão de cada coração que bate e porque está ali.
Então alguém virá. Alguém verá algo que se mexe e não é algo, é mais uma brisa, parece a esperança, parece um abraço, quem sabe seja o olhar se abrindo, quem sabe seja a rotina de volta e conectada ao seu dia de cura.
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