
É preciso ter cuidado para não se perder na esperança, esse terreno tão belo quanto pantanoso. Esperança não deve ser um estado do qual a vida dependa. Esperança nos l eva a acreditar no que não se vê, confiantes de que o visível desejado apareça. Não espero nada da esperança, nem uma aragem, um aceno, uma reza, nada. A evito, tanto quanto fujo desde sempre das certezas. Tive algumas, todas com você que não me passa desapercebida. Prisioneiros não devem ter esperanças. Invisíveis também não. Os condenados, muito menos. Deveria ser proibida a todo tipo de mendigo, aos fora da lei, estranhos em geral, deserdados, desterrados, felizes, executivos, deportados, padres, putas, patriotas, golpistas (talvez sejam a mesma coisa), defensores de baleias, da família e dos bons costumes e proscritos. Não há vitorioso (por mais estúpida que seja a conquista) inspirado pela esperança. O que você vai ver ali é calo, câimbra e coragem. Isso não tem nada a ver com meritocracia, antes que me coloquem nesse lugar habitado por herdeiros, privilegiados e esperançosos. E veja bem: se nem o calo, nem a câimbra, nem a coragem garantem o podium, imagina a esperança, cuja habilidade maior é essa, esperar que algo desejado aconteça porque sim. Vejo a janela fechada e não espero visões. Olho para dedos apontantes e não espero perdões. Cobrei esperas e esperanças. Errei seus alvos, desonrei, vacilei, estive ali, foi por um triz, acertei em cheio, sofri, doeu, fui eu, não fui, fiquei, perdi, arranhei, chorei e não vou dizer que o importante é que emoções eu vivi. O que não vi foi a esperança em luzes alucinantes, descendo (deslumbrante) em cordas de neon. Talvez minha visão esteja embotada por uma lucidez iludida, soberba de quem escreve sobre uma dama tão distante e de quem se espera tanto.
Espero que a musica toque
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