Passa, não passa? Não passa. Alguém pensa: está superado. Virou tempo ou traça, mas não vira. E não passa. Somos passageiros? Não somos. Somos a passagem, o bico do colibri visitando minha alma apenada, olhando tua alma algemada e nem o passado passa. O presente engaiolado, a janela um pouco aberta, um tanto fechada e sabe o que passa? Nada passa. É aguardente, é vinho caro, é cachaça. É no são que você sabe o que sabe. É no são que você sente o que sente. É no vão do afeto que a gente é a gente. Há coisas feitas no eterno. Há mistério se impondo quando o amor se confirma. É quando a conversa abraça. É quando é possível negá-lo, desterra-lo, deserda-lo da herança que somos, mas não dá, algo te aquece, emerge, surge, a vontade vem à cavalo. A saudade faz dela mesma manada e mesmo que você se vista de pássara, o que pousou em nós não passa.

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